Giovanni no Rótulo, Alessandro na Vinha

Giovanni no Rótulo, Alessandro na Vinha

Pedro Bueno

Diano d'Alba fica bem ao lado de Barolo e Barbaresco, nas mesmas colinas da Langhe — mas enquanto os vizinhos colecionam fama internacional, Diano seguiu décadas sendo tratada como parente pobre da denominação, apesar de produzir, segundo lenda local, num território batizado em homenagem a Diana, deusa da caça. Um artigo italiano já chamou a região de "a orgulhosa Cinderela das Langhe" — e o apelido não é exagero. Diano d'Alba recebeu DOC em 1974, mas só conquistou o selo DOCG em 2010, depois de décadas provando, safra após safra, que o Dolcetto plantado ali merecia tanto respeito quanto o Nebbiolo dos vizinhos mais famosos.

É exatamente nesse território que a família Prandi trabalha desde os anos 1920, quando o avô Maggiorino Farinetti teve a ideia, incomum pra época, de vender parte do vinho que produzia pra consumo da própria família em vez de guardar tudo pra casa. Nos anos 1960, o sobrinho dele, Giovanni, chegou pra dar força de verdade ao projeto — e foi essa a virada de caráter que ainda hoje define os vinhos da cantina. O nome "Prandi Giovanni" ficou gravado no rótulo, mas quem toca a produção atualmente é Alessandro, filho de Giovanni: pequena escala, quase artesanal, cerca de 20 mil garrafas por ano, saídas exclusivamente de vinhedos próprios, a maior parte em Diano d'Alba e uma fração menor em Alba.

A propriedade tem dois sorì — termo do dialeto piemontês pra encosta especialmente ensolarada e bem exposta, reconhecido oficialmente no regulamento da denominação como Menção Geográfica Adicional. São 77 sorì cadastrados em todo o território de Diano d'Alba, mas a família Prandi é dona de dois dos mais respeitados: Sorì Colombè e Sorì Cristina. É nesse pedaço de pouco mais de um hectare, a cerca de 500 metros de altitude, em solo de marga calcária, que nasce o Dolcetto mais floral e encorpado da família: nariz de cereja e pêssego, boca seca e equilibrada, final longo — a prova viva de que, mesmo confinado a uma denominação pequena e pouco falada fora da Itália, o Dolcetto pode carregar tanta seriedade quanto qualquer Nebbiolo da vizinhança.

Ao lado do Dolcetto de Diano d'Alba, a Prandi também assina a Barbera d'Alba — a uva que, na região inteira, sempre foi tratada como o vinho do dia a dia, enquanto o Nebbiolo ia embora pra virar Barolo. É a Barbera que sustenta acidez alta e taninos discretos suficientes pra acompanhar qualquer prato gorduroso da cozinha piemontesa, sem nunca competir pelo protagonismo que o Dolcetto de Diano já conquistou, com méritos próprios, depois de um século de trabalho da mesma família na mesma terra.

Harmoniza com massas recheadas, queijos frescos ou de média cura e aquele almoço de domingo que não precisa de vinho caro pra ser inesquecível.

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