Existe um teste simples pra saber se um presente é realmente exclusivo: pergunte se a pessoa que recebe já ganhou a mesma coisa de outra pessoa antes, ou vai ganhar de novo esse ano. Perfume famoso, chocolate importado, até certos vinhos de grande produção, passam nesse teste com nota baixa. Uma garrafa de Bramaterra, feita por um único produtor em quantidade tão pequena que mal circula fora da própria denominação, não corre esse risco. Ninguém mais vai dar de presente esse ano. Provavelmente ninguém no círculo de quem recebe nem sabe que essa denominação existe.
É esse tipo de exclusividade que separa vinho italiano de pequeno produtor de qualquer outra categoria de presente ou de vinho de mesa. Não é exclusividade de preço, embora o preço costume acompanhar. É exclusividade de origem: safras de poucas centenas ou poucos milhares de garrafas, vinhedos que cabem inteiros numa foto, produtores que fazem tudo, da poda à rolha, com as próprias mãos. Comprar essas garrafas é, por natureza, um ato que a maioria das pessoas nunca teve a chance de repetir.
Isso muda completamente o peso de uma garrafa numa mesa de jantar. Um vinho industrial, por melhor que seja, chega à mesa como produto. Um vinho de produtor pequeno chega como história, e histórias rendem conversa de um jeito que rótulo genérico nenhum consegue igualar. Abrir um Dolcetto Sorì Cristina e explicar que "sorì" é o nome que o dialeto piemontês dá às encostas mais ensolaradas de um vinhedo, ou servir um Ghemme sabendo que a denominação inteira depende de um punhado de produtores dispostos a mantê-la viva, transforma a taça em assunto. Ninguém puxa esse tipo de conversa com uma garrafa que está em toda prateleira de supermercado.
O mesmo raciocínio vale, com ainda mais força, na hora de presentear. Presente bom não é o mais caro, é o que carrega intenção visível. Uma garrafa rara, de um produtor que a pessoa nunca ouviu falar, comunica que quem escolheu esse presente foi atrás de algo específico, não pegou o primeiro rótulo bonito da gôndola. É esse o motivo de kits como o Dois Reis ou o Descobertas funcionarem tão bem como presente. Eles já chegam com a curadoria pronta, cada garrafa escolhida pra contar uma parte diferente da mesma história, sem que quem dá precise ser especialista pra acertar.
Existe ainda uma camada final de exclusividade que vai além da garrafa: a experiência em volta dela. Jantares como os que organizamos dentro do Circolo, com vagas limitadas e degustação de rótulos que muitas vezes ainda nem chegaram ao site, levam essa lógica ao extremo. Não é só a garrafa que é rara. É a própria oportunidade de prová-la, numa mesa pequena, com a história contada ao vivo por quem entende do assunto, que se torna o verdadeiro presente.
No fim, a exclusividade de um vinho italiano de pequeno produtor não vem de nenhuma técnica de marketing. Vem de matemática simples: produção baixa, atenção alta, e a certeza de que, se você está servindo ou presenteando um desses rótulos, está oferecendo algo que muito provavelmente ninguém mais vai oferecer.
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