Blog da VignaVita
Existe um teste simples pra saber se um presente é exclusivo de verdade: perguntar se alguém mais vai dar a mesma coisa esse ano. Uma garrafa de produtor pequeno, feita em poucas centenas de unidades, quase nunca passa por esse risco.
Pra quem produz, uma garrafa vendida pode significar sobrevivência de uma denominação inteira. Pra quem compra, costuma ser só mais uma opção de status entre várias. A dicotomia entre essas duas necessidades explica muito sobre como o vinho italiano de pequeno produtor deveria ser vendido e comprado.
O Piemonte tem 19 DOCG. A Toscana criou os Super Tuscans pra contornar o sistema. O Alto Ádige simplesmente nunca quis nenhuma DOCG, e apostou tudo em fazer 96% da própria produção entrar numa única DOC.
Duas garrafas, mesma uva, mesmo produtor, e ainda assim uma diz DOCG e a outra só DOC. A diferença entre essas siglas carrega décadas de história e é por isso que o Piemonte tem mais denominações de prestígio do que qualquer outra região da Itália.
Nos anos 1940, um vinho toscano nasceu fora de qualquer regulamento oficial, batizado apenas "vino da tavola". Hoje é um dos rótulos mais caros do mundo. A história do Sassicaia explica por que a Toscana tem a relação mais peculiar da Itália com o sistema DOC e DOCG.